sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Para Recife, minha cidade

Recife gosta de ostentar um passado de sangue
e facilitar um futuro com concreto no lugar do mangue.
Recife gosta de matar a parte boa da História que já aconteceu nesse lugar
e exaltar o símbolo do assassinato de uma criança preta naquele 5° andar.

Prédios altos atrapalham nossa vista, nossa brisa, nosso mar.
Casarões antigos são abandonados, fazendo a população acreditar
que é melhor colocar mais um prédio bem alto no lugar.
“É melhor assim” diz aquele que nunca vai conseguir
pôr os pés na nova calçada de lá.

eu vi o Recife. nos meus sonhos.
era um lugar muito melhor para morar.
o Recife que eu vejo ao acordar
abandona seu povo em situação precária,
vende nossos espaços à rodo,
alimentando a especulação imobiliária.

ah Recife... se vangloria com título de cidade criativa e musical
e tenta esconder, colocando debaixo dos escombros,
o título de capital mais desigual.
de cima e de longe, você é linda.
aqui de baixo e de perto, eu vejo qual é a real.



domingo, 9 de janeiro de 2022

Meu amor chegou

a gente faz planos mirabolantes 
sentados no chão 
tomando um litrão.
a gente se toca no corpo e na alma
se ama com intensidade e calma.
a gente conversa milhares de assuntos
por horas a fio 
de um para o outro é só elogio 
somos um todo, um conjunto.
somos nós separadamente
e agora, também somos junto.
sentimento que não sei colocar em palavras.
ainda não sei escrever
sobre o amor da gente,
só sei sentir.
existe e não hesitamos em sentir.
esse é um verso não terminado.
quero completar todo dia
que eu estiver ao seu lado.


jamais pensei que fosse verdade
ter paz e tranquilidade
junto com fogo, amor, parceria e amizade.
sempre quis, mas não acreditava que fosse verdade.
você chegou e todas as outras pessoas perderam a cor, meu amor.
amo ser livre junto com você.
clichê? pode ser.
só assim para alguém de fora entender.
o que vem pela frente a gente não sabe
e é isso que faz a gente se querer. 
mãos dadas e vidas entrelaçadas nessa caminhada.


Para Ângelo, meu amor de muito.

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Um monte de coisa para dizer, porém cansada. Porém (de novo), continuo a escrever, mesmo cansada. Ainda bem, pra mim. Para o mundo, já não sei. 

 

Mais da metade da população brasileira vive com insegurança alimentar (vulgo vender o almoço para comprar o jantar). E quase 20 milhões estão passando fome nesse momento (não tem almoço para vender e comprar o jantar nem hoje nem amanhã e não sabe quando terá). E quando vamos abrindo os dados, a gente vai vendo que a fome que tem cor, gênero, grau de escolaridade. Fora que 40% da população do Brasil teve sua renda reduzida mudando completamente (para pior) os alimentos que estavam em suas mesas. (Veja mais em olheparaafome.com.br) 
A desigualdade nesse país sempre foi perpetuada. Não garantir direitos básicos de sobrevivência para a população a mantém longe de lutas maiores. Como alguém luta e vence uma guerra contra um sistema estando com fome? Com fome a gente nem pensa! 
Os ricos cada vez mais ricos, ricaços. Os pseudo ricos achando que tudo é só uma questão de esforço individual. Olha... Tenho andado muito enjoada e cansada (afinal, perceber como o sistema está com seu organismo mais vivo do que nunca não é novidade e é cansativo lutar e não sair do lugar, enquanto sociedade). Cansada da larga romantização de problemas sociais atribuindo a solução a um "basta acreditar" Acreditar em quê hein?... Fica aí o questionamento.

 

Minha poesia não resolve nada. Queria eu! Mas esse é meu único meio de não morrer engasgada. Enfim, viva a resiliência não é?! Vamo que vamo! 



 

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Hoje, eu aceitaria

hoje eu aceitaria a proposta que você me fez naquele dia. 
hoje eu entendo que ter alguém ao lado não tem nenhuma garantia
que vamos ficar juntos nem para sempre nem até semana que vem.
cada dia é um dia. e viver cada dia sem pressa faz tão bem...
na verdade, eu até já sabia de tudo isso, mas hoje eu aceitaria melhor.

aproveitamos sim,
mas naquele dia eu ainda queria...
ainda quero mais hoje!

toda vez que a gente se fala, fica uma sensação de coisa inacabada
palavra presa na garganta, entalada, uma vontade controlada...
acho que é porque nosso sentimento não teve morte morrida
teve morte matada - acho que não era pra ser naquele dia...

mas ó, da minha parte não morreu não.
ele adormeceu. e quando acordou, se transformou.
ensaiou para ir embora, mas ficou.
não na mesma definição, nem na mesma proporção que existia
mas tá aqui. ainda tem alguma coisa aqui em mim
que deixa um talvez bem vivo no meu peito. 


Logo abaixo, o vídeo deste texto: