segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Observações do externo e do interno

queria tirar fotos do centro do Recife.

na praça da Independência, que todo mundo chama praça do diário, tem uma árvore tão bonita.

enquanto a vida acontece embaixo dela,

ela tá lá, imponente e linda,

parada, mas em movimento,

fornecendo uma sombra da qual não posso usufruir.

tô esperando meu ônibus e observando a vida passar.

os prédios no entorno, parados,

bonitos e abandonados,

pessoas em movimento, indo para algum lugar.

e eu lá, parada, mas em ação

- que nem a árvore -

ligada e a esperar.

vejo uma beleza poética ainda ativa,

pensando nas histórias que já aconteceram naquela praça antigamente

e - de repente - uma frase,

dita por alguém que nunca mais vou ver o rosto,

corta meu pensamento:

"esfaquearam um aí ontem quando ia para o trabalho!"

não deu tempo de processar a informação...

meio dia e trinta e seis!

meu ônibus chegou!

meu pensamento não volta mais para onde estava.

nem antigamente, nem ontem

ele está parado no agora:

tô com fome! tomara que eu consiga um lugar na janela!

tomara que eu consiga um lugar na janela.