Às vezes, a gente levanta da mesa mesmo quando o amor ainda está sendo servido.
Às vezes, a gente vai embora antes da festa acabar.
Nem sempre a gente aguenta ficar até o final de tudo.
Talvez seja por não querer sentir o gosto amargo de um desfecho
ou por não saber lidar com o fim. Será?
Também pode ser porque busca algo que não tem ali,
porque, na gente, sempre brota uma necessidade de algo novo,
às vezes a gente sente que precisa viver outras coisas.
Acho que é isso! Pode ser isso sim.
Mas se for para evitar o sofrimento do fim,
aviso que não se pode evitar o inevitável.
A conclusão sempre vai existir.
Pode estar com outra 'roupa' mas existe um fim de uma etapa ali.
E com este fim, o sofrimento vem.
Nem adianta burlar. Nem adianta fugir.
Um lugarzinho criado para escrever as caraminholas que habitam a massa cefálica debaixo dos caracóis dos meus cabelos. Histórias e visões de um mundo distante (ou próximo!). Tenho a liberdade de usar o verbo 'mergulhar' para falar sobre assuntos densos e também sobre assuntos rasos. Amo mergulhar nos assuntos mas no mar mesmo, tenho medo.
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
quarta-feira, 28 de agosto de 2019
Tem dias que não dá
Para mim, tem dias que não dá
e resolvi aceitar que, até nesses dias, está tudo bem também.
Se me dizem: "você não pode pausar!"
respondo perguntando: "isso foi ordem de quem? essa regra veio de onde?"
e aí me falam qualquer coisa que não me convence,
muitas vezes, ninguém nem responde.
Reafirmo então: tem dias que não dá.
Eu sou dona da minha própria vida.
Quebro a regra do "não pode" e digo que posso.
Sou uma rebelde assumida.
Me dou o direito de parar, de descansar e de até me sentir perdida.
Acredito que viver é descobrir o melhor (e também o pior, porquê não?) para si.
Apesar de tanta segurança (que algumas pessoas rotulam - a partir de si mesmas - de arrogância),
eu preciso muito das pessoas que amo ao meu lado.
Não para que me digam "eu avisei" quando algo der 'errado', mas para que me apoiem,
respeitem minhas escolhas, me deem colo em dias que eu só quero chorar.
Que entendam que faz parte da vida ter dias que vou dizer: "hoje não dá".
Que mesmo que esses dias de descanso, quietude e seriedade se estendam, mesmo que eles se tornem maioria, saibam que aquela que por qualquer coisa o riso solto fluía,
ainda continua aqui em mim. Não deem a sentença que me tornei triste.
Estou vivendo. Aprendendo e lidando com tudo que dentro de mim existe.
Quero experimentar. Aceito e recebo que tem dias que não dá.
e resolvi aceitar que, até nesses dias, está tudo bem também.
Se me dizem: "você não pode pausar!"
respondo perguntando: "isso foi ordem de quem? essa regra veio de onde?"
e aí me falam qualquer coisa que não me convence,
muitas vezes, ninguém nem responde.
Reafirmo então: tem dias que não dá.
Eu sou dona da minha própria vida.
Quebro a regra do "não pode" e digo que posso.
Sou uma rebelde assumida.
Me dou o direito de parar, de descansar e de até me sentir perdida.
Acredito que viver é descobrir o melhor (e também o pior, porquê não?) para si.
Apesar de tanta segurança (que algumas pessoas rotulam - a partir de si mesmas - de arrogância),
eu preciso muito das pessoas que amo ao meu lado.
Não para que me digam "eu avisei" quando algo der 'errado', mas para que me apoiem,
respeitem minhas escolhas, me deem colo em dias que eu só quero chorar.
Que entendam que faz parte da vida ter dias que vou dizer: "hoje não dá".
Que mesmo que esses dias de descanso, quietude e seriedade se estendam, mesmo que eles se tornem maioria, saibam que aquela que por qualquer coisa o riso solto fluía,
ainda continua aqui em mim. Não deem a sentença que me tornei triste.
Estou vivendo. Aprendendo e lidando com tudo que dentro de mim existe.
Quero experimentar. Aceito e recebo que tem dias que não dá.
domingo, 25 de agosto de 2019
Ramos Eletrônica (parte II)
Nota: para entender melhor este texto, leia primeiro o post anterior: Ramos Eletrônica
Como já estava tarde, deixei para ir sacar o dinheiro no domingo pela manhã. No sábado, eu já tinha perdido uma programação mesmo, então não sairia mais de casa.
Amanheceu chovendo. Muito mesmo.
Minha mãe me acordou 06h50. Seis e cinquenta da manhã de um domingo chuvoso. Não podia ser verdade! SEIS E CINQUENTA.
Tudo bem que eu tinha combinado com o Seu Ramos de entregar a metade do dinheiro de manhã mas não era tão cedo assim. Tudo bem que eu precisaria ir de ônibus até um caixa eletrônico qualquer para cumprir o acordo mas não precisava ser tão cedo assim. Tudo bem que eu estava tendo um sonho louco onde eu revivia um romance com um ex antigo que não quero nem ver a cor (porque ele apareceu esta noite? não sei) - nesse caso ela me salvou - mas mesmo assim, não precisava.
Resmunguei que ele iria de 10h30 para 11h e continuei deitada mas não dormi mais. Infelizmente.
Ele tinha dito que era para eu ligar assim que estivesse com o dinheiro já que não fechamos um horário. Seu Ramos queria passar aqui 08h30 e eu já tinha dito que este horário eu estaria dormindo - e aí surgiu o novo horário lá por volta das 11h da manhã, nada certo mas minha mãe que não quis ouvir, não lembrou, ficou com o primeiro e foi me acordar SEIS E CINQUENTA - até agora estou um pouco inconformada mas vou seguir a vida.
Uns 40 minutos depois levantei. Lavei o rosto, tomei meu café da manhã, coloquei uma roupa qualquer. Tudo sem dar um pio. Minha mãe tava dormindo. Meu tio assistindo à missa na TV de 14 polegadas tubinho no quarto dele. Recife frio.
Peguei meu guarda chuva, um livro e saí com minha cara amassada e de poucos amigos na rua. Não quis levar o celular por questão de 'segurança'. Isso já era umas 08h00 da manhã. Meu tio até se ofereceu para ir comigo mas eu disse que não precisava. Certamente ele estava com medo que eu fosse assaltada, mas a gente tem que viver normal né?! Não queria me preocupar em demasia com isso. Deixei ele assistindo a missa.
A rua deserta - todo mundo estava aproveitando o domingo de chuva... dormindo! Mas a minha vizinha da frente era a única pessoa na rua, consertando uma pá que ela pega o cocô dos seus cachorros. Ela estava na chuva e na calçada da minha casa martelando pregos na pá. Disse que a outra pá dela roubaram quando ela deixou 2 minutos na esquina (eu ri, sei que é errado mas eu ri).
- Te acordei foi? Perguntou ela enquanto contava a história do furto da pá
- Acordou. Respondi eu, em tom de brincadeira.
- Me desculpe viu?!
- Tchau mulé. Acordou não, eu tenho que ir. Bom dia.
Segui meu caminho sem olhar pra trás e ela continuou a martelar a nova pá. E eu pensava: "eu só queria estar dormindo e a mulher pode mas está na chuva, batendo prego, falando de furto..."
Resolvi aceitar que só eu poderia resolver esse problema e comecei a falar frases ordenando a mim mesma que curtisse a viagem. "Olha que paz!" falei sozinha. Estava me sentindo bem, ali sozinha na rua. Encontrei uma pessoa ou outra com espaços longos entre uma e outra durante o trajeto até o ponto de ônibus. Alguns carros roubaram meu silêncio mas era coisa rápida. Parou de chover e apareceu aquele sol tímido, parecia que ele tava com preguiça também.
Na avenida do ponto de ônibus, as duas lojas de presentes concorrentes já estavam abertas. Com som na porta e tudo. Destruindo a calmaria que me acompanhava durante o caminho. A farmácia e a padaria também estavam funcionando (às vezes nem sei se estes estabelecimentos fecham, na verdade).
Fiquei lendo o livro enquanto aguardava o ônibus. Um livro do Bukowski. Quando eu estava no embalo da leitura, veio o ônibus. Fechei o livro, subi no ônibus, cumprimentei o motorista e o cobrador (que horas eles acordaram para estarem ali?). Eu já estava na rua, acordada, pés molhados... mesmo assim, eu já estava curtindo a viagem. O livro estava me levando para outro lugar. E o ônibus também.
Rapidinho chegamos no terminal onde eu poderia sacar o dinheiro. Não tinham nem 10 pessoas no ônibus- era cedo (já falei isso bastante ne?!).
Desci para cumprir a missão. Cheguei a pensar em dizer ao motorista: "me espera aí motô" mas não tive a cara de pau na hora.
Fiz o que tinha que fazer, sempre observando à minha volta (não posso esquecer do medo que meu tio teve de que eu fosse assaltada e aí lógico que eu também estava). Mas o assalto estava acontecendo já: eu mesma 'assaltando' a minha conta. E o banco, na hora de cobrar os juros desse valor, vai me assaltar também, 'legalmente'. Fazer o que? Gente esforçada faz essas coisas. Agradeci que tenho essa opção e guardei os R$400 no menor bolso do meu short. Fingi que eu era uma agente secreta e tava invisível.
De lá, segui para a fila - inexistente neste horário - do ônibus. Só tinha EU na fila desse ônibus. E minha gente, não é que voltei mesmo no mesmo ônibus que fui? Número do carro: 476. O motorista deu uma paradinha para mijar, mordiscar um pão e então foi o tempo exato para que eu resolvesse minha vida. Nem se eu tivesse pedido a ele teria dado tão certo. Olha aí o destino me dando uma ajudinha por aceitar o imutável? haha
Li menos o livro no caminho. Tentei fazer a observação de tudo na rua. Por muito tempo, eu fui a única passageira no ônibus. O cobrador aproveitou para ouvir todos os áudios de algum grupo de whatsapp que ele participa (ele deve ser o ausente...). Depois subiu um casal de idosos cada um com uma bíblia na mão, e depois mais duas senhoras. Ficou todo mundo concentrado na dianteira do ônibus. E eu sozinha no restante do ônibus inteiro. No meu reino. Raro. Raríssimo. Foi uma ótima viagem.
Chego em casa por volta de 08h45 e vou lá ligar para Seu Ramos avisando que já pode vir buscar o dinheiro.
- "O telefone chamado está temp..." disse aquela voz chata ao qual eu não ouço a mensagem completa.
- Não tô acreditando que esse homem me fez acordar cedo à toa! Disse eu assim que desliguei. Apesar da ótima viagem, antes das 10 meu humor não é dos melhores mesmo. E eu tinha que transferir a causa para alguém né?!
Será que seria a decepção? A enganação? Ele tão firme no que disse mas não cumpriu a parte no nosso trato de estar disponível para receber minha ligação? E aquela confiança? Passou muita coisa na minha cabeça. Ligo novamente. Mesma mensagem. Coloquei meu pijama de volta e deitei, mas não dormi.
Avisei à minha mãe, que logo se prontificou a ir ao estabelecimento de Seu Ramos.
Minutos depois chega minha mãe de volta e nada do velho. Não o achou. Chegou lá e só encontrou o lugar que ele atende, sem a presença dele. Ela disse que é minúsculo e que nossa TV nem caberia lá. Estava tocando hinos de igreja na rádio. E aberto. Assim, só com a porta encostada sabe? Ele não tranca. Confiante é Seu Ramos viu?! Ensinaram onde era a a casa dele mas ela não achou. Ela resolveu voltar. Mas gente... cadê esse homem?
Ligamos novamente.
- "O tefefone cha..."
Resolvemos então esperar. Não restava nada a fazer a não ser esperar e confiar.
Lá pelas 11h aparece Seu Ramos aqui em casa. Roupa de domingo: bermuda, camiseta regata, sandália de couro trançada, barba e bigodes bem cuidados e um cigarro aceso. Um andar um tanto apressado mas tinha sorriso na fala.
- Ô madame, me desculpe! Falou ele para minha mãe que já estava no terraço. Ela explicou o que fez e ele disse (sem esperar ela terminar de falar):
- Esqueci de avisar que desligo o celular aos domingos! Sou humano não é?! Se eu deixar ligado, não me deixam em paz! Não estou no telefone nem para minha mãe aos domingos. Preciso tomar um guaraná, dar um respiro né?! Esqueci mesmo! Me desculpe, madame. Repetiu que se não fosse assim, ele não vivia o domingo, que esqueceu (lembra que eu falei que ele repete falas?).
Minha mãe falou que não tinha problema, foi lá dentro, buscou o dinheiro e entregou
à Seu Ramos. Eu fiquei no meu quarto. Só cumprimentei seu Ramos pela janela dessa vez, mas pude ver e ouvir todo seu movimento.
Gente... Achei digno com ele mesmo. Ele tem um compromisso e disciplina com ele mesmo. Seu Ramos não é Ramos Eletrônica aos domingos. Abre a exceção em casos raros. Confiante ele. A confiança voltou completamente. E lembra o nosso horário combinado antes? 11h. Foi a hora que ele disse que apareceria. E apareceu.
Ele continuou o texto com o dinheiro na mão, já saindo rua afora dizendo que segunda feira, 17h30 estará aqui deixando a TV nova de novo.
E lá se foi Seu Ramos viver seu domingo, desconectado do celular, com sua confiança de vida.
- Até segunda!
- Até!
(continua...)
Ramos Eletrônica
A TV aqui de casa quebrou. Do nada, ela parou de funcionar. Mais de 7 anos de uso. E ninguém da casa com dinheiro disponível para comprar televisão. Máquina de lavar pifou, fogão pedindo ajuda, cadeiras da mesa da cozinha com estofados rasgados... Estamos levando como podemos (sobre a máquina, minha mãe conseguiu consertar já) mas sem TV, a rotina fica completamente estranha, não para mim, mas para os outros integrantes da casa, sim. A TV é o guia deles... fazer o que?
Vida de gente esforçada é assim mesmo né?! A prioridade é manter a casa em funcionamento, pagando as contas prioritárias. Como diz a música "Meu Santo tá Cansado" d'O Rappa: "(...)Não vou dizer que tenho saldo sobrando. Não tô devendo, mas a vida de homem é assim mesmo: uma lona de freio aqui, um motor fazendo um barulho ali (...)" essa música, como todas do Rappa, fala a realidade da grande massa dos brasileiros e a minha casa está dentro do padrão de uma parte da massa - ah! Q saudades, O Rappa!
Mas voltando ao caso TV... Ela é enorme. 55 polegadas. Sabe como é né?! Gente esforçada gosta de ter tudo de melhor em casa (o entretenimento é dentro de casa, afinal). E naquela época, pudemos comprar algumas coisas materiais que passamos a vida sonhando. Compramos em 12 prestações, o valor foi dividido para as 3 pessoas da casa...
Vida de gente esforçada é assim mesmo né?! A prioridade é manter a casa em funcionamento, pagando as contas prioritárias. Como diz a música "Meu Santo tá Cansado" d'O Rappa: "(...)Não vou dizer que tenho saldo sobrando. Não tô devendo, mas a vida de homem é assim mesmo: uma lona de freio aqui, um motor fazendo um barulho ali (...)" essa música, como todas do Rappa, fala a realidade da grande massa dos brasileiros e a minha casa está dentro do padrão de uma parte da massa - ah! Q saudades, O Rappa!
Mas voltando ao caso TV... Ela é enorme. 55 polegadas. Sabe como é né?! Gente esforçada gosta de ter tudo de melhor em casa (o entretenimento é dentro de casa, afinal). E naquela época, pudemos comprar algumas coisas materiais que passamos a vida sonhando. Compramos em 12 prestações, o valor foi dividido para as 3 pessoas da casa...
E aí decidimos: "vamos comprar outra! consertar não vai dar jeito. Já tá na data do cartão virar." Frase que mudaria segundos depois após constatar a realidade.
Hoje, mesmo que uma do mesmo tamanho custe menos da metade do valor que compramos a nossa na época, não vai dava para comprar outra... A renda diminuiu. Minha mãe lembrou que tem que comprar uma cama para ela e tinha que caber as duas coisas no orçamento. Meu tio quer um fogão novo, não aguenta mais o que temos e isso está estressando ele.
Diante disso tudo, a gente disse: - "Vamos achar uma solução mais barata". Gente esforçada é assim mesmo. Uma conta aqui, puxa daqui, puxa acolá... Não dá pra fazer nada sem pensar. Enfim...
Aí minha mãe resolveu ver a NF da TV para ver a data que compramos e achou uma NF de serviço. Lá tinha escrito: Ramos Eletrônica. Fica aqui da comunidade mesmo. Ótimo! Tinha que achar alguém que viesse até nossa casa. Levar a TV para qualquer lugar era inviável porque já teria custo. Saber que a Ramos Eletrônica era aqui perto era ótimo. Seria a solução?
Seu Ramos é um senhor negro, altura mediana, da voz rouca e firme, fumante, alérgico à poeira. Essa NF de serviço foi porque ele resolveu o problema do aparelho de som aqui de casa em 2016.
Resolvemos ligar para o telefone da notinha, nem tinha o 9 na frente ainda. Era sábado, 16h. Nota antiga, vai ver até mudou de número... Mas ligamos. Chamou umas três vezes e ele atendeu.
Diante disso tudo, a gente disse: - "Vamos achar uma solução mais barata". Gente esforçada é assim mesmo. Uma conta aqui, puxa daqui, puxa acolá... Não dá pra fazer nada sem pensar. Enfim...
Aí minha mãe resolveu ver a NF da TV para ver a data que compramos e achou uma NF de serviço. Lá tinha escrito: Ramos Eletrônica. Fica aqui da comunidade mesmo. Ótimo! Tinha que achar alguém que viesse até nossa casa. Levar a TV para qualquer lugar era inviável porque já teria custo. Saber que a Ramos Eletrônica era aqui perto era ótimo. Seria a solução?
Seu Ramos é um senhor negro, altura mediana, da voz rouca e firme, fumante, alérgico à poeira. Essa NF de serviço foi porque ele resolveu o problema do aparelho de som aqui de casa em 2016.
Resolvemos ligar para o telefone da notinha, nem tinha o 9 na frente ainda. Era sábado, 16h. Nota antiga, vai ver até mudou de número... Mas ligamos. Chamou umas três vezes e ele atendeu.
- Alôôôan...
- Senhor Ramos?
- Sim. É ele. Me fale seu problema?
Por alguns segundos, deu vontade de falar vários problemas, eu tenho tantos... Mas falei sobre a TV. Seu Ramos é muito objetivo (apesar de repetir falas) e falou que em 1h estaria aqui na minha casa mas que eu teria que buscá-lo na padaria pq ele não saberia chegar. Minha mãe foi buscá-lo. Chegou aqui umas 17h.
Já foi coordenando tudo com bastante precisão e segurança. Parecia um médico na sala de cirurgia sabe?!
- Preciso de uma mesa.Vou analisar! Achei engraçado mas senti uma confiança da porra em Seu Ramos. Eu não o conhecia porque na época do som, eu não estava morando aqui.
Arrumamos tudo para Seu Ramos. Ele abriu a TV e foi direto no problema.
Achei incrível. Assim, nem sei se é, mas confiei total porque ele está há anos fazendo isso. Me passou que realmente sabe o que está fazendo.
Demonstrou o que acontece se alguém tocar numa parte lá que passa a corrente elétrica, a chave deu um pipoco, eu me assustei ele e riu.
Ele ria numa confiança sabe?! Mas não era em tom de deboche não, era em tom de segurança. Era uma coisa simples para ele mas parecia que ele tava feliz em conseguir resolver nosso problema. Sei lá.
Pensei: "No que eu me propuser a fazer na vida, quero fazer que nem seu Ramos, bem segura."
Foi rápida a análise.
- Compensa consertar? Perguntei.
- Sim. Uma dessa é mais de 2.000 reais! E eu ajeito tudo por R$400.
Ele falou o valor e em seguida disse: - Metade agora para eu comprar a peça e segunda feira o resto depois que eu consertar. Vou levar a placa mãe. Falei outro problema da imagem. Ele me assegurou que os problemas não tinham relação um com o outro mas que consertaria e estaria tudo incluso no valor que me passou. Não precisava pagar a mais.
Era verdade o valor de uma TV nova igual à nossa agora. A gente tinha passado a tarde pesquisando TVs.
Nem contestei o valor do conserto sabe? (apesar de não ter o dinheiro). Se não sei consertar, não posso barganhar. Ia dar um jeito. Confiança vale mais que dinheiro.
Antes de falarmos qualquer coisa ele disse:
- Senhor Ramos?
- Sim. É ele. Me fale seu problema?
Por alguns segundos, deu vontade de falar vários problemas, eu tenho tantos... Mas falei sobre a TV. Seu Ramos é muito objetivo (apesar de repetir falas) e falou que em 1h estaria aqui na minha casa mas que eu teria que buscá-lo na padaria pq ele não saberia chegar. Minha mãe foi buscá-lo. Chegou aqui umas 17h.
Já foi coordenando tudo com bastante precisão e segurança. Parecia um médico na sala de cirurgia sabe?!
- Preciso de uma mesa.Vou analisar! Achei engraçado mas senti uma confiança da porra em Seu Ramos. Eu não o conhecia porque na época do som, eu não estava morando aqui.
Arrumamos tudo para Seu Ramos. Ele abriu a TV e foi direto no problema.
Achei incrível. Assim, nem sei se é, mas confiei total porque ele está há anos fazendo isso. Me passou que realmente sabe o que está fazendo.
Demonstrou o que acontece se alguém tocar numa parte lá que passa a corrente elétrica, a chave deu um pipoco, eu me assustei ele e riu.
Ele ria numa confiança sabe?! Mas não era em tom de deboche não, era em tom de segurança. Era uma coisa simples para ele mas parecia que ele tava feliz em conseguir resolver nosso problema. Sei lá.
Pensei: "No que eu me propuser a fazer na vida, quero fazer que nem seu Ramos, bem segura."
Foi rápida a análise.
- Compensa consertar? Perguntei.
- Sim. Uma dessa é mais de 2.000 reais! E eu ajeito tudo por R$400.
Ele falou o valor e em seguida disse: - Metade agora para eu comprar a peça e segunda feira o resto depois que eu consertar. Vou levar a placa mãe. Falei outro problema da imagem. Ele me assegurou que os problemas não tinham relação um com o outro mas que consertaria e estaria tudo incluso no valor que me passou. Não precisava pagar a mais.
Era verdade o valor de uma TV nova igual à nossa agora. A gente tinha passado a tarde pesquisando TVs.
Nem contestei o valor do conserto sabe? (apesar de não ter o dinheiro). Se não sei consertar, não posso barganhar. Ia dar um jeito. Confiança vale mais que dinheiro.
Antes de falarmos qualquer coisa ele disse:
- Tem muita gente que não gosta de mim aqui, mas sou assim direto. Ele tava olhando para minha mãe. Acho que falou isso porque ela arregalou o olho. E ele acionou a defesa dele em justificar seu preço. E ele tá errado? Eu também arregalei mas foi internamente e de pensar no rombo que eu ia fazer no meu cheque especial mesmo, já que tem que pagar à vista. Com certeza, o arregalar de olhos da minha mãe também foi por isso. Quem tem R$400 assim, do nada?
- Não tenho R$200 aqui. Falei eu. Fim de tarde de sábado... Não tenho nem R$40, quanto mais R$400.
- Tudo bem, passo amanhã 08h30 para pegar. Disse ele rapidamente.
- Não tenho R$200 aqui. Falei eu. Fim de tarde de sábado... Não tenho nem R$40, quanto mais R$400.
- Tudo bem, passo amanhã 08h30 para pegar. Disse ele rapidamente.
Eu ri. Negociei para ser um pouco mais tarde - odeio acordar cedo. Para qualquer coisa.
O celular dele tocou, um desses de 'barrinha' sabe? Atendeu e parecia ser mais uma 'emergência'. Arrumou a maleta com suas ferramentas, deu recomendações de não mexermos na TV até o retorno dele - não podia nem varrer o chão kkkk - e saiu rua afora. Fumando seu cigarro, rindo de satisfação com seu diagnóstico e dizendo que segunda feira a nossa TV estará boa.
Falamos: - É né?! Acredito que Tá bom. O som que ele consertou tá aí perfeito até hoje. Vamos dar um jeito. (inclusive agora, tá tocando aqui no volume máximo enquanto escrevo).
Eita Ramos Eletrônica confiante. Vida de gente esforçada é assim mesmo.
(continua...)
Falamos: - É né?! Acredito que Tá bom. O som que ele consertou tá aí perfeito até hoje. Vamos dar um jeito. (inclusive agora, tá tocando aqui no volume máximo enquanto escrevo).
Eita Ramos Eletrônica confiante. Vida de gente esforçada é assim mesmo.
(continua...)
sábado, 10 de agosto de 2019
Tempo de aprender
Não venha esfregar seu diploma na minha cara
achando que um pedaço de papel
te faz melhor do que qualquer um.
Seu conhecimento não é essa coisa rara.
De onde eu venho, ele não significa nada se você não respeita quem aprende com a vida.
Se não for assim, aqui você é só mais um.
A vida cobra prática.
Aqui não tem treinamento. Se ganha experiência na linha de frente.
Aqui não se brinca de casinha, de empresinha... O sistema proíbe essa brincadeira pra gente.
Não me venha com sua frase idiota: "se esforce mais que você vai conseguir"
Esse é seu mundo de ilusão, a oportunidade é que bate na sua porta.
Na vida real, a gente leva muito NÃO!, a gente não vê nenhuma porta se abrir.
O que o sistema faz é nos preterir.
Esse seu papo de esforço, mérito, 'eu consegui', para quem tem tudo, funciona muito bem.
Mas é mais uma forma do sistema para te entreter,
para você não ver a realidade ao seu redor.
Quando pensar em opção, pense que quem tem esse privilégio é você
Aqui a gente não tem não. Aqui a gente luta para manter a mente sã
Aqui a gente luta para viver.
E para encerrar, não venha me acusar de vitimismo, de que meu discurso é 'coitadismo'.
Se você fala isso, é só a prova do que eu disse no início:
seu diploma é só um papel. Entre ele e a vida há um abismo,
na prática mesmo, você não sabe nada.
E mais uma coisa eu te digo: no mundo existem outras pessoas além de você,
ele não gira em torno do seu umbigo.
Mas cuida! É sempre tempo de aprender.
achando que um pedaço de papel
te faz melhor do que qualquer um.
Seu conhecimento não é essa coisa rara.
De onde eu venho, ele não significa nada se você não respeita quem aprende com a vida.
Se não for assim, aqui você é só mais um.
A vida cobra prática.
Aqui não tem treinamento. Se ganha experiência na linha de frente.
Aqui não se brinca de casinha, de empresinha... O sistema proíbe essa brincadeira pra gente.
Não me venha com sua frase idiota: "se esforce mais que você vai conseguir"
Esse é seu mundo de ilusão, a oportunidade é que bate na sua porta.
Na vida real, a gente leva muito NÃO!, a gente não vê nenhuma porta se abrir.
O que o sistema faz é nos preterir.
Esse seu papo de esforço, mérito, 'eu consegui', para quem tem tudo, funciona muito bem.
Mas é mais uma forma do sistema para te entreter,
para você não ver a realidade ao seu redor.
Quando pensar em opção, pense que quem tem esse privilégio é você
Aqui a gente não tem não. Aqui a gente luta para manter a mente sã
Aqui a gente luta para viver.
E para encerrar, não venha me acusar de vitimismo, de que meu discurso é 'coitadismo'.
Se você fala isso, é só a prova do que eu disse no início:
seu diploma é só um papel. Entre ele e a vida há um abismo,
na prática mesmo, você não sabe nada.
E mais uma coisa eu te digo: no mundo existem outras pessoas além de você,
ele não gira em torno do seu umbigo.
Mas cuida! É sempre tempo de aprender.
sexta-feira, 9 de agosto de 2019
Revolta
Essa palavra choca... a alguns.
As pessoas associam logo a algo ruim, algo que vai perturbar a (falsa) paz perfeita de um ambiente.
Já para mim, me incomoda e me choca não haver a revolta.
Eu sou a revolta em pessoa. Sou sim.
Isso choca? Que bom!
Eu sou a revolta contra o sistema opressor.
Contra costumes que deterioram a dignidade das pessoas.
Contra qualquer atitude que visa um benefício individual em detrimento dos direitos do coletivo.
Sou revolta.
A normalização da tirania me revolta.
Ser 'educada' (leia-se adestrada como fazem com os cães) em situações que exigem a revolta prática em seu sentido dicionarístico me revolta.
Ser um zumbi (desses sem cérebro, sem vontade própria, sem personalidade) em meio a tudo que acontece à minha volta me revolta.
Não sou 'educada' como querem. Sou preparada como Dandara, guerreira e capoeira.
E se me chamam de Zumbi, não há como confundir: sou o DOS PALMARES
Não aceito nenhum sujeito me oprimir.
Não quero normalizar o que estou vendo.
Sou revolta!
Estamos vivendo tempos sombrios e eu prefiro ser revolta.
Quero caos! Quero revolta!
Quero ser revolta!
As pessoas associam logo a algo ruim, algo que vai perturbar a (falsa) paz perfeita de um ambiente.
Já para mim, me incomoda e me choca não haver a revolta.
Eu sou a revolta em pessoa. Sou sim.
Isso choca? Que bom!
Eu sou a revolta contra o sistema opressor.
Contra costumes que deterioram a dignidade das pessoas.
Contra qualquer atitude que visa um benefício individual em detrimento dos direitos do coletivo.
Sou revolta.
A normalização da tirania me revolta.
Ser 'educada' (leia-se adestrada como fazem com os cães) em situações que exigem a revolta prática em seu sentido dicionarístico me revolta.
Ser um zumbi (desses sem cérebro, sem vontade própria, sem personalidade) em meio a tudo que acontece à minha volta me revolta.
Não sou 'educada' como querem. Sou preparada como Dandara, guerreira e capoeira.
E se me chamam de Zumbi, não há como confundir: sou o DOS PALMARES
Não aceito nenhum sujeito me oprimir.
Não quero normalizar o que estou vendo.
Sou revolta!
Estamos vivendo tempos sombrios e eu prefiro ser revolta.
Quero caos! Quero revolta!
Quero ser revolta!
Assinar:
Postagens (Atom)