sexta-feira, 18 de setembro de 2020

O incondicional que me perdoe, mas reciprocidade é fundamental

Escrevi um versinho e me veio essa frase como legenda. Minha mente já gritou: "vai escrever um texto!" Faz tempo que não venho aqui, fiquei feliz com essa querência da minha mente. O verso está lá no instagram @escritacomum, vai lá depois.

No dicionário, há muitas definições para a palavra amor. Para filósofos, cientistas, neurocientistas, há outras gigantes definições. Para as pessoas que sentem, há definições particulares. E acreditamos que há muitas formas de sentir, de demonstrar e que o amor se manifesta em vários lugares.

A frase título eu direciono para o amor entre duas pessoas, com desejo sexual envolvido. Sobre esse que quero falar.

Assistimos a muitos filmes que exaltam que o amor só é válido se for sofrido. Tipo: uma pessoa faz absolutamente tudo e qualquer coisa para conquistar outra pessoa (que geralmente não esta nem aí). São muitos obstáculos e "provas". No final, a outra pessoa se apaixona também e vivem o "felizes para sempre". Isso é filme. Eu gosto de ver esse tipo de filme sabe? Não vou mentir... Mas para nos prender por 2h (peça de teatro ou filme) ou mesmo em vários episódios de série ou novela, um roteiro precisa ter conflito. O filme acaba no "felizes" porque dá a entender que o tédio vai tomar conta da vida daquele casal, então não é mais interessante continuar o filme. Qualquer busca de "como fazer um roteiro" você encontra essa informação. É uma obra de ficção, que usa bastante o sistema de Constantin Stanislavski (ele foi um teatrólogo, diretor e ator russo que sistematizou a interpretação e chegou a conclusão que o ator deve parecer o máximo possível com a vida real). Então roteiro e atuação muito próximos confundem a gente né? E quando a gente escuta: "aconteceu igualzinho comigo!" Isso até se explica pelo sistema acima que acabei de citar, mas é uma exceção. Melhor que seja.

Observação: não estou tirando a magia dos filmes não hein?! Muito pelo contrário, sou atriz e é a profissão que me encanta. 

Mas voltando ao amor: eu não gosto, de jeito nenhum, na vida real eu ter que me rasgar inteira para me encaixar na vida de alguém (podem me chamar para fazer filmes, novelas e peças. Estou disponível). Pra mim, amor é ceder, é compreender, é acolher, é dar colo, é escutar e receber tudo isso de volta, é troca. Não há este amor que sobreviva na seca. As duas pessoas envolvidas precisam de carinho e cuidado. Quem não quer e não gosta de receber amor? E como você pode querer apenas receber e não dar? 

Sim, eu sei que temos nossas vivências, experiências pessoais e sociais, estamos cortados por diversos problemas (machismo, racismo etc, não quero dissertar sobre isso nesse texto, embora esteja implícito nas nossas vidas), tentando viver e sobreviver nesse mundo. Tudo já é tão pesado. Temos nossas defesas, criamos nossos mecanismos de fuga, vestimos nossas armaduras mas eu queria refletir nesse texto sobre o que foi criado como ideal do que é o amor pela sociedade e o que é o real. E que o real é melhor que o ideal e que é possível se a gente for honesto e de verdade com quem está com a gente. Não precisamos de mais peso.

Discordâncias? Sim. Mas podemos discordar de qual lado da cama dormir, se tem que tomar banho quente ou frio, se hoje a gente come pizza ou salada, qual a marca da cerveja é melhor? Podemos debater política sem se matar, podemos falar sobre trabalho, futebol, podemos chorar? Podemos respeitar as nossas diferenças que não ferem nossa existência?

Eu não sei vocês, mas eu quero mais é um amor tranquilo, de boas. Não quero sentir insegurança (falo aqui quando o outro lado proporciona essa insegurança e não as que já carregamos do passado - que também precisam ser tratadas né?!), não quero perder noites de sono (a não ser que a gente esteja conversando e gargalhando), não quero estresse. Não quero perfeição, os dias ruins existem sim, mas que os dois envolvidos queiram resolver. Eu quero realismo, honestidade e reciprocidade.

Não vou correr atrás de quem não me quer (eu sou sedentária, pow). Isso não é orgulho, é amor por mim. Os filmes ensinam que a gente tem que insistir, que tem que "lutar" por alguém. Gente, eu já luto na vida sabe? Sou uma mulher preta atriz na busca do meu eu e eu ainda tenho que ficar atrás de alguém, quando, explicitamente esse alguém NÃO me quer? Não, gente! Recuso-me. Isso também não quer dizer que quem chegar, qualquer pessoa que chegar, vai entrar. Eu também tenho que querer a pessoa.

Eu quero que ela seja A minha pessoa. E que eu seja A pessoa dela. Por quanto tempo durar.
Sabe aquela pessoa que tu olha e diz: "que bom que você está aqui", que você só sente sem muitas explicações, que no meio do caos todo, você lembra dela e sai um sorriso no canto da boca? E ela sente o mesmo por você? Que é recíproco? Pronto. Eu acredito que existe.

Tem uma frase: "o amor tudo suporta", mas, pra mim, o amor entre duas pessoas não suporta tudo não. Nem deve. Cada um sabe de seus limites.

O incondicional que me perdoe, mas reciprocidade no amor é fundamental.






Para quem leu tudo, gratidão. Só quero deixar registrado que este texto é uma opinião, um texto literário, que pode até virar uma dramaturgia baseada em fatos reais. Não sou especialista em relacionamentos. Procure ajuda profissional, caso precise. E não, ainda não tenho opinião sobre poliamor. Estou ainda na visão ocidental de um relacionamento monogâmico.
Gostaria de estar na mesa de plástico de um bar falando sobre isso.
Um beijo!