Faz um tempo que venho sentindo mais as coisas ao meu redor. Passei a
ter uma percepção mais aflorada sobre coisas boas e consequentemente sobre as
coisas ruins também. O verbo despertar vem sendo bastante utilizado nos últimos
anos e é bem por aí mesmo. A gente desperta e passa a ver tudo, tudo nos atinge
de alguma forma. Isso vem gerando em mim muitas mudanças, no meu comportamento
dentro da sociedade que estou enxergando, na minha casa, nos lugares que
frequento, no que consumo de bens materiais e imateriais. Reflete até na
escolha das pessoas que gosto. A psicologia e a psicanálise podem ter uma
explicação científica, a espiritualidade pode ter outra para isto que está acontecendo comigo mas independente de
explicações, o fato é que a mudança está aqui em mim.
Bem, com essas frases iniciais sobre mim, estou tentando fazer com que você, que está lendo este texto, leia com o seu coração aberto. Receba estas informações impressas com a minha ótica e transforme-as para a sua. Não quero impor nada. Vou só falar o que sinto com alguns dados importantes no meio para contextualizar.
Tô nesse negócio de mudança e sentimento, tô a menos de 30 dias do meu aniversário, tô fazendo um projeto intenso para o teatro no fim do ano, tô toda mexida por dentro. Cortei meu cabelo. Cheguei lá no salão e disse: passa a máquina! E Vânia passou. 3 e 2.
Bem, com essas frases iniciais sobre mim, estou tentando fazer com que você, que está lendo este texto, leia com o seu coração aberto. Receba estas informações impressas com a minha ótica e transforme-as para a sua. Não quero impor nada. Vou só falar o que sinto com alguns dados importantes no meio para contextualizar.
Tô nesse negócio de mudança e sentimento, tô a menos de 30 dias do meu aniversário, tô fazendo um projeto intenso para o teatro no fim do ano, tô toda mexida por dentro. Cortei meu cabelo. Cheguei lá no salão e disse: passa a máquina! E Vânia passou. 3 e 2.
Você pode pensar que é mais um textão por causa de um corte de cabelo qualquer –inicialmente,
até era mesmo mas se tornou muito mais que isso. É sobre padrão de beleza,
autoestima e racismo. É além do meu umbigo.
A aparência física diz alguma coisa, fala alguma mensagem. Definitivamente, não é uma coisa fútil e banal. Todo dia é dia de aprender a ler as mensagens que as pessoas estão passando. Óbvio? Sim, porém incrivelmente ainda não somos capazes de fazer isso. Entendemos que ler mensagens é rotular e criticar as pessoas sem levar em consideração absolutamente nada do que aquela pessoa já viveu (ninguém sabe do passado de ninguém, daí a importância da escuta) e sem nem sequer observar o contexto ao qual a pessoa está inserida. Julgamos e criticamos o outro lado com a nossa régua moral e social, a partir do nosso ponto de vista. Isso é cruel. Com as críticas disfarçadas de elogios, empurramos as pessoas para um lugar que não cabe a existência delas, isso gera frustração, tristeza, depressão, ansiedade. Parece exagero? Brasil ocupa a segunda posição no mercado mundial quando o assunto é estética.
Padrão de beleza. Quem determina o padrão? A sociedade. Isso diz que: o que é bonito para um tem que ser para todos (detesto isso) e o que a nossa sociedade sempre disse que é bonito para uma mulher? Ser branca, ser magra, padrão eurocentrado. Portanto, qualquer mulher fora desse padrão é feia. É preta? É feia! Cabelo curto? É feia. Gorda? É feia. E milhaaaaaaares de mulheres acreditam que são feias.
As pessoas da família dizem que é feia e acreditam que falam isso por amor. As amigas falam que é feia e acreditam que falam isso por amor. A mídia fala que é feia e fala isso por dinheiro mesmo. O mercado precisa de mais mulheres inseguras com seus corpos para sobreviver, tadinho do mercado... (por favor, contém ironia aqui).
“Porque cortou? Tá revoltada?” Uma pessoa me perguntou. Percebam: o termo revolta é justamente utilizado porque estou indo contra um padrão que disseram que seria o meu sabe? “Tá lindo esse teu cabelo de menino” porque no padrão, o cabelo peladinho é de menino sabe? E até um tempo atrás eu aceitei e vesti esse padrão, hoje não mais. Eu trouxe esses exemplos - raros hoje na minha vida - só para ilustrar. Se tornaram raros porque não ligo mais para o que dizem sobre a minha aparência. Não deixou de doer, tem dias que atinge mas hoje não. E eu acabo prestando atenção e recebendo elogios maravilhosos.
Daí vão surgindo as mulheres que conseguiram se libertar desse padrão. As que são colocadas na caixinha do “essa ligou o foda-se! ” (caixinhas porque a sociedade insiste em rotular e engaiolar qualquer manifestação pessoal do indivíduo), as que conseguem continuar de pé e lindas enquanto são alvejadas pelas críticas disfarçadas de elogios. Essas fazem o que ‘dá na telha’, consideradas as ‘doidinhas’ fazendo as suas ‘loucuras’. Você já ouviu isso? Eu já.
Essas resgataram a autoestima. Autoestima não é somente o externo não, o externo faz parte. É um processo interno de reconhecimento. Vou me atrever aqui a trazer algo doloroso como um fator que abafa nossa autoestima de mulher: historicamente, a mulher é submissa, devendo servir ao homem. A história chegou pra nós assim e assim acreditamos que devia ser perpetuado. Machismo e misoginia né mores? Nas civilizações que esta ‘cultura’ foi derrubada (como é o caso aqui do Brasil, pelo menos em vias legais ok? até quando, não sei), isso se perpetua nos escritos bíblicos e há milhaaaaaaares de pessoas que ainda acreditam nisso. Se não forem as leis da sociedade determinando o lugar da mulher, a igreja aparece para cumprir esse papel. Parece exagero? No CENSO IBGE de 2010 a população evangélica era de 22% e a católica 65%. Qual o papel da mulher, que o homem diz, nestas religiões? Qual a aparência delas e o lugar delas na sociedade?
Vou voltar e prosseguir na autoestima: nós mulheres precisamos ser quem quisermos, trabalhar, produzir, ser independentes, estudar... Isso resgata nossa autoestima. Essa transformação interna acaba refletindo no externo. A liberdade resgata a autoestima. A mulher que consegue ser ela mesma e não o que querem que ela seja tem a autoestima elevada. As mulheres livres ainda são consideradas rebeldes, revoltadas, doidas. Estamos em 2019 e ainda escutamos estes adjetivos por estes motivos que citei acima. Vindo de homens e mulheres. Que coisa né?!
E aí, chego no racismo. Eu deveria começar com ele. Já acabaria meu texto sem nem começar afinal ele “explica” muita coisa de como vivemos hoje. Nenhuma conversa em termos sociais aqui no Brasil tem o luxo de ter o racismo deixado de fora. Quando é deixado, é porque não querem ‘polemizar’, não querem falar de assuntos ‘chatos’. E quem diz isso são pessoas que não vivem, nunca viveram (nem viverão) o racismo, não tem empatia pelo assunto ou ainda não despertou. Existem essas pessoas e aí exercitamos a paciência. O engraçado é que a cobrança da sociedade para ter paciência é somente para nós negros, ou mulheres, ou qualquer um que esteja no lugar do oprimido, já reparou? O padrão é ser dócil, gentil e educado mesmo que alguém te enfie diariamente adagas no seu peito ou chicoteie suas costas (infelizmente, não estou falando hipoteticamente porque ainda em 2019, há negros sendo chicoteados e escravizados). O Brasil diz não ser racista, mas somos. E como somos. Último CENSO IBGE 54,9% da população preta e parda. Abrem a boca para dizer que não somos racistas porque somos a maioria negros (risos! Aquela frase “eu tenho até uma amiga negra...”), mas quais os lugares que vemos as pessoas negras na mídia por aí? Nos veículos de massa, nos papéis das novelas, o que elas estão fazendo? Quantos artistas tem? Na sua cabeça virá 5 ou 6 nomes de artistas da Globo, tá bom... 10 vai! Nas empresas, onde estão as pessoas negras? Na festa que você vai, tem quantas pessoas negras? Onde elas estão, o que estão fazendo? Ué, se a maioria, no nosso país é negra, cadê esse povo? Amores, em qualquer lista de “mulheres mais bonitas do Brasil” que você jogar na internet, aparecem váááááááárias loiras, brancas, magras (lembra do padrão? tá aqui de novo) e uma negra (não retinta).
Desproporcional, não? O que as pessoas acham bonito é realmente só uma questão de gosto? Eu não acho isso mais. Já achei sim. Hoje, gosto para mim é no paladar, isso sim é pessoal. Mas numa sociedade, uma pessoa bela ser somente uma pessoa branca é racismo.
Olha essa imagem aí de 2 dias atrás que uma amiga postou em seus stories... (obrigada por compartilhar, Gabi!)
A aparência física diz alguma coisa, fala alguma mensagem. Definitivamente, não é uma coisa fútil e banal. Todo dia é dia de aprender a ler as mensagens que as pessoas estão passando. Óbvio? Sim, porém incrivelmente ainda não somos capazes de fazer isso. Entendemos que ler mensagens é rotular e criticar as pessoas sem levar em consideração absolutamente nada do que aquela pessoa já viveu (ninguém sabe do passado de ninguém, daí a importância da escuta) e sem nem sequer observar o contexto ao qual a pessoa está inserida. Julgamos e criticamos o outro lado com a nossa régua moral e social, a partir do nosso ponto de vista. Isso é cruel. Com as críticas disfarçadas de elogios, empurramos as pessoas para um lugar que não cabe a existência delas, isso gera frustração, tristeza, depressão, ansiedade. Parece exagero? Brasil ocupa a segunda posição no mercado mundial quando o assunto é estética.
Padrão de beleza. Quem determina o padrão? A sociedade. Isso diz que: o que é bonito para um tem que ser para todos (detesto isso) e o que a nossa sociedade sempre disse que é bonito para uma mulher? Ser branca, ser magra, padrão eurocentrado. Portanto, qualquer mulher fora desse padrão é feia. É preta? É feia! Cabelo curto? É feia. Gorda? É feia. E milhaaaaaaares de mulheres acreditam que são feias.
As pessoas da família dizem que é feia e acreditam que falam isso por amor. As amigas falam que é feia e acreditam que falam isso por amor. A mídia fala que é feia e fala isso por dinheiro mesmo. O mercado precisa de mais mulheres inseguras com seus corpos para sobreviver, tadinho do mercado... (por favor, contém ironia aqui).
“Porque cortou? Tá revoltada?” Uma pessoa me perguntou. Percebam: o termo revolta é justamente utilizado porque estou indo contra um padrão que disseram que seria o meu sabe? “Tá lindo esse teu cabelo de menino” porque no padrão, o cabelo peladinho é de menino sabe? E até um tempo atrás eu aceitei e vesti esse padrão, hoje não mais. Eu trouxe esses exemplos - raros hoje na minha vida - só para ilustrar. Se tornaram raros porque não ligo mais para o que dizem sobre a minha aparência. Não deixou de doer, tem dias que atinge mas hoje não. E eu acabo prestando atenção e recebendo elogios maravilhosos.
Daí vão surgindo as mulheres que conseguiram se libertar desse padrão. As que são colocadas na caixinha do “essa ligou o foda-se! ” (caixinhas porque a sociedade insiste em rotular e engaiolar qualquer manifestação pessoal do indivíduo), as que conseguem continuar de pé e lindas enquanto são alvejadas pelas críticas disfarçadas de elogios. Essas fazem o que ‘dá na telha’, consideradas as ‘doidinhas’ fazendo as suas ‘loucuras’. Você já ouviu isso? Eu já.
Essas resgataram a autoestima. Autoestima não é somente o externo não, o externo faz parte. É um processo interno de reconhecimento. Vou me atrever aqui a trazer algo doloroso como um fator que abafa nossa autoestima de mulher: historicamente, a mulher é submissa, devendo servir ao homem. A história chegou pra nós assim e assim acreditamos que devia ser perpetuado. Machismo e misoginia né mores? Nas civilizações que esta ‘cultura’ foi derrubada (como é o caso aqui do Brasil, pelo menos em vias legais ok? até quando, não sei), isso se perpetua nos escritos bíblicos e há milhaaaaaaares de pessoas que ainda acreditam nisso. Se não forem as leis da sociedade determinando o lugar da mulher, a igreja aparece para cumprir esse papel. Parece exagero? No CENSO IBGE de 2010 a população evangélica era de 22% e a católica 65%. Qual o papel da mulher, que o homem diz, nestas religiões? Qual a aparência delas e o lugar delas na sociedade?
Vou voltar e prosseguir na autoestima: nós mulheres precisamos ser quem quisermos, trabalhar, produzir, ser independentes, estudar... Isso resgata nossa autoestima. Essa transformação interna acaba refletindo no externo. A liberdade resgata a autoestima. A mulher que consegue ser ela mesma e não o que querem que ela seja tem a autoestima elevada. As mulheres livres ainda são consideradas rebeldes, revoltadas, doidas. Estamos em 2019 e ainda escutamos estes adjetivos por estes motivos que citei acima. Vindo de homens e mulheres. Que coisa né?!
E aí, chego no racismo. Eu deveria começar com ele. Já acabaria meu texto sem nem começar afinal ele “explica” muita coisa de como vivemos hoje. Nenhuma conversa em termos sociais aqui no Brasil tem o luxo de ter o racismo deixado de fora. Quando é deixado, é porque não querem ‘polemizar’, não querem falar de assuntos ‘chatos’. E quem diz isso são pessoas que não vivem, nunca viveram (nem viverão) o racismo, não tem empatia pelo assunto ou ainda não despertou. Existem essas pessoas e aí exercitamos a paciência. O engraçado é que a cobrança da sociedade para ter paciência é somente para nós negros, ou mulheres, ou qualquer um que esteja no lugar do oprimido, já reparou? O padrão é ser dócil, gentil e educado mesmo que alguém te enfie diariamente adagas no seu peito ou chicoteie suas costas (infelizmente, não estou falando hipoteticamente porque ainda em 2019, há negros sendo chicoteados e escravizados). O Brasil diz não ser racista, mas somos. E como somos. Último CENSO IBGE 54,9% da população preta e parda. Abrem a boca para dizer que não somos racistas porque somos a maioria negros (risos! Aquela frase “eu tenho até uma amiga negra...”), mas quais os lugares que vemos as pessoas negras na mídia por aí? Nos veículos de massa, nos papéis das novelas, o que elas estão fazendo? Quantos artistas tem? Na sua cabeça virá 5 ou 6 nomes de artistas da Globo, tá bom... 10 vai! Nas empresas, onde estão as pessoas negras? Na festa que você vai, tem quantas pessoas negras? Onde elas estão, o que estão fazendo? Ué, se a maioria, no nosso país é negra, cadê esse povo? Amores, em qualquer lista de “mulheres mais bonitas do Brasil” que você jogar na internet, aparecem váááááááárias loiras, brancas, magras (lembra do padrão? tá aqui de novo) e uma negra (não retinta).
Desproporcional, não? O que as pessoas acham bonito é realmente só uma questão de gosto? Eu não acho isso mais. Já achei sim. Hoje, gosto para mim é no paladar, isso sim é pessoal. Mas numa sociedade, uma pessoa bela ser somente uma pessoa branca é racismo.
Olha essa imagem aí de 2 dias atrás que uma amiga postou em seus stories... (obrigada por compartilhar, Gabi!)
E agora que nós, pessoas negras, estamos resgatando nossa autoestima, estamos nos achando lindos, nos elogiando, nos fortalecendo junto dos nossos (porque a vida toda a gente conheceu a cultura do branco), construindo nossos negócios, tentando fazer o dinheiro girar dentro de nossa comunidade para que possamos UM DIA TALVEZ viver num mundo de oportunidades iguais, somos chamados de racistas reversos, vejam só. Mais uma estratégia do racismo estrutural em nos derrubar. Acode!
Eu nem vou entrar no assunto de classe econômica nesse lance de beleza, mas deveria. Mas não vou.
Aí agora que falei do geral, vou voltar o texto só para mim.
Era só um corte. Foi só um corte, mas é impossível que não exista um peso em absolutamente tudo que eu faça. A minha resistência, que comecei há quase 10 anos atrás sem nem saber que era resistência, se reflete no meu exterior. A minha existência, andar, falar, sorrir é minha resistência. Trabalhar a minha autoestima diante de tudo isso relatado é pesado e quando me cobram que preciso ser leve nesses assuntos, eu não aceito mais sabe?! Também não perco meu tempo conversando com quem não quer ouvir o que tenho a dizer. Comecei esse texto dizendo que não vou impor nada, sou a favor da liberdade de cada um porém sou declaradamente antirracista, anti machista, anti padrões estéticos inúteis. Escolho um lado sim, e o meu é ser anti coisas bosta! E vou lutar com as minhas armas até o último dia que eu aguentar. Daí há assuntos que não sou só amor não. É humanamente impossível eu ser agredida e não revidar. Violência física não rola mas a minha resposta é dita. Não serei mais silenciada. Seja na hora, seja em forma de textos como esse.
Compreender e aceitar a luta do outro é um exercício diário. Me policio para não mais criticar ou opinar sem ser perguntada sobre a aparência de alguém. Não consigo mais dizer: “não gostei dessa cor desse cabelo” se a pessoa não me perguntar diretamente: "você gostou da cor do meu cabelo?" porque eu simplesmente gatilho TUDO isso em mim antes de responder e penso que pode gatilhar na pessoa, entendem?
Hoje, eu amo a minha aparência de todo jeito mesmo. Me sinto linda, gostosa, me elogio na frente do espelho. Sem brincadeira, eu faço isso. E me acho linda sem precisar me comparar com outras mulheres (tem dias que me acho UÓ e tudo bem também porque esse lance de heroína é só em histórias em quadrinhos e ficção). Quando eu passei a achar meu rosto lindo, o cabelo ficou sendo um detalhe, uma moldura e por isso que mudo sempre. Eu gosto de mudar. Gosto do fervor da novidade, do desconhecido. Gosto de lidar com o que eu fiz do que lidar com o imaginário do que não fiz, de como poderia ter sido. Mudo como pessoa, e automaticamente imprime a minha face mulher, a mulher negra, a mulher periférica. Faz parte de mim, não pode ser amputado ou anulado. Entendem?
Que aprendamos a ler as mensagens das pessoas.
Ah! E não deixem nunca de elogiar. Não tem esse papo de “hoje não pode mais falar nada”. Pode falar, com respeito amore, se fala tudo. Se é tão ligado em moda, vou falar na língua: escrotice/idiotice disfarçada de ‘super sinceridade’ saiu de moda.
Eu AMO ser elogiada (quem não gosta?). Manas, elogiem as mulheres, se elogiem! Vocês são lindas sim. Se ainda não sabem disso, olhem para quem já sabe, consumam coisas que façam vocês serem vocês mesmas. Homens, elogiem as mulheres e estejam abertos e atentos ao que dissermos, se não gostarmos é porque não cabia. Vocês não determinam o que gostamos, só nós mesmas. Se dissermos que seu ‘elogio’ foi machista, aceite e não repita.
Muitas pessoas falam a palavra coragem ao ver meu novo cabelo. “Você é muito corajosa” e isso vai além do medo de parecer feia. A coragem aqui é porque com a cabeça peladinha, eu vou enfrentar preconceito, racismo, machismo... só por causa de um corte de cabelo.
Mas olha, TEM MUITA COISA boa do lado de cá! Venham ser livres, até quando pudermos! Quando quiserem.
Agradeço à todas que vieram antes de mim, abrindo caminhos para que eu pudesse estar aqui hoje fazendo o que quero e escrevendo como eu me sinto. Por mais que eu faça parecer uma coisa natural (minha intenção é realmente essa), ainda não é tanto assim. Tem muita luta para travar. Realmente eu tenho que concordar que coragem é uma qualidade que ganhei de presente da minha ancestralidade e tenho muito orgulho de usar essa arma hoje. São 'eles' me lançando na fogueira e eu saindo linda, dançando com os pés descalços e feliz. CORAGEM! Sempre, pra tudo.
E agradeço a você que leu até aqui. Agradeço sempre. É uma delícia compartilhar minha ideia com você.
Vai ter sorrisão, axé e cabelo curtinho da mulher-preta-que-se-acha-linda para o Brasil e para mundo sim. Vão ter que lidar.
Beijos!


texto muito lindo 🥰
ResponderExcluirincrivel como nessas horas o racismo realmente aparece de forma "sutil", quase que "inofensiva"
mas apenas quem vive na pele sabe
Tu já era maravilhosa de cabelão
Também está maravilhosa com ele curtinho (quero ver logo ao vivo na aula)
Mudar é sempre bem vindo
Mexe com a alma da gente
E vc é linda, mais que demais como diria o ilustre Caetano 😂
Hey meu amor!!! Acredito que todo mundo já passou por algum tipo de preconceito, seja lá com a cor, com o sotaque, com o excesso de gordura ou falta dela, cacoetes, e a lista é longa! O problema maior é quando a gente mesmo coloca essa lista numa escala de "maior ao menor" dos problemas. Esse tipo de coisa é um saco e vai continuar existindo sabe pq? Pq o ser humano ainda não evoluiu o suficiente para parar de criar rótulos e escalas de pecadinho e pecadão, errinho errão, bonitinho bonitão. Você está ótima de juba nova. Receba os elogios, e descarte o olhar torto de quem não sabe abençoar o próximo. Você é luz, é magia, é inteligência e cultura. Você é top e sabe disso, ainda bem! hahaahah Beijossssss baby. E faça mais videozinhos pra gente no stories. Te love você.
ResponderExcluir"Vai ter sorrisão, axé e cabelo curtinho da mulher-preta-que-se-acha-linda para o Brasil e para mundo sim. Vão ter que lidar."
ResponderExcluirAAAAHHHH!! SUALINDA! CONTINUE! SEMPRE!
Tenho muito, MUITO, orgulho de você! <3
Oi Carol passei por isso quando decidi mudar e trançar meu cabelo,disseram que não ia mais arrumar emprego ( empregada estou),que que não combinava comigo, vc com minha idade, que iam me olhar atravessado na rua, brinquei e respondi na lata,que o olhar atravessado não me atingia, que ia trançar mesmo... Hoje tenho o trançado como minha segunda fonte de renda e não me vejo mais de cabelo liso e estou feliz. Sobre o amor de Cristo ele existe, ele existe e eu o sinto, só que é uma experiência pessoal, Ele ama o meu ser por inteiro e não apenas a carcaça que envolve minha alma... Ele é mais que isso. Gosto de ler o que vc escreve e leio tudo até o finzinho. Fica com Deus e seja feliz com cabelo grande ou curto, seja sempre você. Beijo.
ResponderExcluirEu te amo pra caralho e aprendo com voce sempre.Gratidão!!!!!!!
ResponderExcluirSalve Carol, tudo bem?
ResponderExcluirLembra de mim? Olyver da TIM São Paulo. Mano, que texto foda, parei aqui por acaso, e me deparei com tanta ideia foda!!!!! Compartilho de todas as suas idéias, pratico isso no meu dia dia, e tento passar isso pra minha filha. Saudade de você!!!! E parabéns pelo texto, pela postura, e por ser voz de tanta gente que ainda sofre.
qlqr coisa da um salve olyvercsilva@gmail.com, ai te passo meu whats
PARABÉNS!!!!!!!