Preta, nordestina, mulher.
Cacheada (na verdade, uso o cabelo
que eu quiser).
Nariz grande e em pé.
Ando por aí de cabeça erguida.
Não cometi crime algum em ter nascido assim.
Cometi? Perguntei, mas eu mesma
respondo: NÃO.
Andar por aí com meu nariz grande e
em pé (e um sorriso largo junto) é bem irritante aos olhos daqueles que
acreditam que, por causa das minhas características físicas, eu teria que me
curvar.
Então, como eu não permito essa imposição na MINHA vida, já me chamam
logo de arrogante.
Bem irritante para os que tentam determinar qual é o MEU lugar na sociedade.
Tentam me convencer e não conseguem, aí já me chamam de ignorante.
Atacar, tentar diminuir, pressão
psicológica... Estas sempre serão estratégias utilizadas pelo humano que se
sente ameaçado por outro que está ali diante dele e que ele subestima.
Aceita.
Aceita que eu não estou tentando me
encaixar em porra de rótulo algum, que eu não estou à venda, só estou buscando
o que é MEU.
Eu só quero viver num lugar onde a
cor da minha pele e meu gênero não determinem meu futuro, meu caráter, minha
capacidade de realizar.
E pra isso, faço o MEU, sem entrar no espaço de
ninguém, sem passar por cima de ninguém.
Aceita minha liberdade e minha força.
Não tente me prender pois não caibo em gaiolas. Eu vim pra voar.
Vim pra
conquistar, pra crescer.
Não queira tirar isso de mim, não vai conseguir.
Respeita que dói menos.
Aliás, com respeito, te garanto que
nem dói.
Texto escrito em 02/05/18, publicado nas minhas redes sociais
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