quarta-feira, 25 de março de 2020

Tá pesado demais (há muito tempo)

O mundo está em meio a uma pandemia. Nações tentam frear o COVID-19 de todas as formas possíveis. Com o vírus, surge crise social, econômica e também política.
Ops, eu disse surge? Aqui (no Brasil) não é 'surge', é evidencia, eclode, vem à tona. Sim, porque essas crises não surgiram agora, com esse vírus. Vivemos doentes muito antes da doença chegar. Mas, infelizmente, ninguém liga porque essas crises só atingem a quem? Os pobres.
O que me devasta, me desola, me deixa triste é ver o poder público completamente inerte aos problemas sociais e econômicos do país em prol de manter uma política que beneficia somente um percentual baixíssimo da população - os ricos.
Mas calma! As coisas podem ficar piores! Não bastando a inércia na solução de problemas já existentes, ainda há o ato de atrapalhar e aumentar ainda mais o problema que acabou de chegar. Sim. Tudo que tá ruim, pode piorar e, no Brasil, a cada ano a gente sente esse gostinho de merda na garganta.
Tá... a esta altura do texto, talvez você esteja dizendo aí: "nossa, que pessimismo! não é assim também" e eu sugiro que você troque a palavra pessimismo por realismo e, infelizmente, é assim. Vamos aos números:
O Brasil é o 7º país mais desigual do mundo. A concentração 42% da renda total daqui fica na mão de 10% e com 1% dos mais ricos fica quase 30%. Temos quase 8% de pessoas na extrema pobreza. (fonte: Pnud).
Mesmo assim, sofremos cortes verba da educação, da saúde, dos programas de combate à pobreza, como o Bolsa Família, do programa de proteção à mulher... (se jogar no google, vcs acham tudo). Cortes muito bem planejados para atingir a 90% da população (sim, pq a classe média tá aqui e não lá nos 10%).
E não é só uma questão de classe. O Brasil foi construído com sangue de negros e índios e ainda tem a questão de gênero. Não se desvinculam essas coisas quando falamos de desigualdade social. Esses são os 'monstros invisíveis' que enfrentamos. Chamo assim porque ouço por aí que não existe um inimigo, que tudo que você quiser, basta você se esforçar 
(haha ok tá).

Assim que acabei de assistir ao pronunciamento do ser que ocupa a cadeira de cargo máximo no país, eu caí no choro. Dor de cabeça bateu. Um choro de quem não aguenta mais ver a impunidade rindo de nossa cara. Um choro de cansaço mesmo. Desabei naquele momento. Minha cabeça ficou vazia por uns instantes. Meu cérebro só emitia um comando: chore.


Dói demais enxergar o óbvio. É triste demais ver um presidente e um governo inteiro com o objetivo tão óbvio de destruir uma nação. Por todos os lados. Morrendo. Por vírus, de fome, pelo racismo, pela falta de assistência, pela negação à educação, à cultura... Dói!
Eu não votei nele mas eu não consigo dizer que "ainda bem que não votei". Eu tô aqui. Essa frase não causa nenhum efeito de alívio dessa dor em mim. Sempre foi óbvio que eu jamais votaria nele. Mas ele tá lá. Colocaram ele lá. Mesmo com todos esses planos tão explícitos, colocaram ele lá. Ele fala e faz absurdos e quem pode tirar ele de lá, não tira.
Dói.

Minha cabeça tá doendo. Continuo chorando. Não tenho mensagens positivas a passar. Não tenho soluções. Só quis mesmo desabafar. Quem sabe amanhã (já são 02h18 da manhã nesse 'amanhã, inclusive) eu acorde melhor? Eu encontre algum ópio para sobreviver no mundo real...
Sabe, às vezes, até entendo quem vive dormindo para estas questões. Porque tem que ser muito forte pra enxergar tudo isso e não pirar. Dói despertar.
Pra quem leu até aqui, não se preocupe. Eu tô bem longe da loucura. Esse gostinho a eles eu não vou dar. Hoje só levei mais um golpe, mas eu vou continuar a lutar. Só preciso descansar.
Tá pesado demais (há muito tempo).

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