queria tirar fotos do centro do Recife.
na praça da Independência, que todo mundo chama praça do diário, tem uma árvore tão bonita.
enquanto a vida acontece embaixo dela,
ela tá lá, imponente e linda,
parada, mas em movimento,
fornecendo uma sombra da qual não posso usufruir.
tô esperando meu ônibus e observando a vida passar.
os prédios no entorno, parados,
bonitos e abandonados,
pessoas em movimento, indo para algum lugar.
e eu lá, parada, mas em ação
- que nem a árvore -
ligada e a esperar.
vejo uma beleza poética ainda ativa,
pensando nas histórias que já aconteceram naquela praça antigamente
e - de repente - uma frase,
dita por alguém que nunca mais vou ver o rosto,
corta meu pensamento:
"esfaquearam um aí ontem quando ia para o trabalho!"
não deu tempo de processar a informação...
meio dia e trinta e seis!
meu ônibus chegou!
meu pensamento não volta mais para onde estava.
nem antigamente, nem ontem
ele está parado no agora:
tô com fome! tomara que eu consiga um lugar na janela!
tomara que eu consiga um lugar na janela.
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