Vida de gente esforçada é assim mesmo né?! A prioridade é manter a casa em funcionamento, pagando as contas prioritárias. Como diz a música "Meu Santo tá Cansado" d'O Rappa: "(...)Não vou dizer que tenho saldo sobrando. Não tô devendo, mas a vida de homem é assim mesmo: uma lona de freio aqui, um motor fazendo um barulho ali (...)" essa música, como todas do Rappa, fala a realidade da grande massa dos brasileiros e a minha casa está dentro do padrão de uma parte da massa - ah! Q saudades, O Rappa!
Mas voltando ao caso TV... Ela é enorme. 55 polegadas. Sabe como é né?! Gente esforçada gosta de ter tudo de melhor em casa (o entretenimento é dentro de casa, afinal). E naquela época, pudemos comprar algumas coisas materiais que passamos a vida sonhando. Compramos em 12 prestações, o valor foi dividido para as 3 pessoas da casa...
E aí decidimos: "vamos comprar outra! consertar não vai dar jeito. Já tá na data do cartão virar." Frase que mudaria segundos depois após constatar a realidade.
Hoje, mesmo que uma do mesmo tamanho custe menos da metade do valor que compramos a nossa na época, não vai dava para comprar outra... A renda diminuiu. Minha mãe lembrou que tem que comprar uma cama para ela e tinha que caber as duas coisas no orçamento. Meu tio quer um fogão novo, não aguenta mais o que temos e isso está estressando ele.
Diante disso tudo, a gente disse: - "Vamos achar uma solução mais barata". Gente esforçada é assim mesmo. Uma conta aqui, puxa daqui, puxa acolá... Não dá pra fazer nada sem pensar. Enfim...
Aí minha mãe resolveu ver a NF da TV para ver a data que compramos e achou uma NF de serviço. Lá tinha escrito: Ramos Eletrônica. Fica aqui da comunidade mesmo. Ótimo! Tinha que achar alguém que viesse até nossa casa. Levar a TV para qualquer lugar era inviável porque já teria custo. Saber que a Ramos Eletrônica era aqui perto era ótimo. Seria a solução?
Seu Ramos é um senhor negro, altura mediana, da voz rouca e firme, fumante, alérgico à poeira. Essa NF de serviço foi porque ele resolveu o problema do aparelho de som aqui de casa em 2016.
Resolvemos ligar para o telefone da notinha, nem tinha o 9 na frente ainda. Era sábado, 16h. Nota antiga, vai ver até mudou de número... Mas ligamos. Chamou umas três vezes e ele atendeu.
Diante disso tudo, a gente disse: - "Vamos achar uma solução mais barata". Gente esforçada é assim mesmo. Uma conta aqui, puxa daqui, puxa acolá... Não dá pra fazer nada sem pensar. Enfim...
Aí minha mãe resolveu ver a NF da TV para ver a data que compramos e achou uma NF de serviço. Lá tinha escrito: Ramos Eletrônica. Fica aqui da comunidade mesmo. Ótimo! Tinha que achar alguém que viesse até nossa casa. Levar a TV para qualquer lugar era inviável porque já teria custo. Saber que a Ramos Eletrônica era aqui perto era ótimo. Seria a solução?
Seu Ramos é um senhor negro, altura mediana, da voz rouca e firme, fumante, alérgico à poeira. Essa NF de serviço foi porque ele resolveu o problema do aparelho de som aqui de casa em 2016.
Resolvemos ligar para o telefone da notinha, nem tinha o 9 na frente ainda. Era sábado, 16h. Nota antiga, vai ver até mudou de número... Mas ligamos. Chamou umas três vezes e ele atendeu.
- Alôôôan...
- Senhor Ramos?
- Sim. É ele. Me fale seu problema?
Por alguns segundos, deu vontade de falar vários problemas, eu tenho tantos... Mas falei sobre a TV. Seu Ramos é muito objetivo (apesar de repetir falas) e falou que em 1h estaria aqui na minha casa mas que eu teria que buscá-lo na padaria pq ele não saberia chegar. Minha mãe foi buscá-lo. Chegou aqui umas 17h.
Já foi coordenando tudo com bastante precisão e segurança. Parecia um médico na sala de cirurgia sabe?!
- Preciso de uma mesa.Vou analisar! Achei engraçado mas senti uma confiança da porra em Seu Ramos. Eu não o conhecia porque na época do som, eu não estava morando aqui.
Arrumamos tudo para Seu Ramos. Ele abriu a TV e foi direto no problema.
Achei incrível. Assim, nem sei se é, mas confiei total porque ele está há anos fazendo isso. Me passou que realmente sabe o que está fazendo.
Demonstrou o que acontece se alguém tocar numa parte lá que passa a corrente elétrica, a chave deu um pipoco, eu me assustei ele e riu.
Ele ria numa confiança sabe?! Mas não era em tom de deboche não, era em tom de segurança. Era uma coisa simples para ele mas parecia que ele tava feliz em conseguir resolver nosso problema. Sei lá.
Pensei: "No que eu me propuser a fazer na vida, quero fazer que nem seu Ramos, bem segura."
Foi rápida a análise.
- Compensa consertar? Perguntei.
- Sim. Uma dessa é mais de 2.000 reais! E eu ajeito tudo por R$400.
Ele falou o valor e em seguida disse: - Metade agora para eu comprar a peça e segunda feira o resto depois que eu consertar. Vou levar a placa mãe. Falei outro problema da imagem. Ele me assegurou que os problemas não tinham relação um com o outro mas que consertaria e estaria tudo incluso no valor que me passou. Não precisava pagar a mais.
Era verdade o valor de uma TV nova igual à nossa agora. A gente tinha passado a tarde pesquisando TVs.
Nem contestei o valor do conserto sabe? (apesar de não ter o dinheiro). Se não sei consertar, não posso barganhar. Ia dar um jeito. Confiança vale mais que dinheiro.
Antes de falarmos qualquer coisa ele disse:
- Senhor Ramos?
- Sim. É ele. Me fale seu problema?
Por alguns segundos, deu vontade de falar vários problemas, eu tenho tantos... Mas falei sobre a TV. Seu Ramos é muito objetivo (apesar de repetir falas) e falou que em 1h estaria aqui na minha casa mas que eu teria que buscá-lo na padaria pq ele não saberia chegar. Minha mãe foi buscá-lo. Chegou aqui umas 17h.
Já foi coordenando tudo com bastante precisão e segurança. Parecia um médico na sala de cirurgia sabe?!
- Preciso de uma mesa.Vou analisar! Achei engraçado mas senti uma confiança da porra em Seu Ramos. Eu não o conhecia porque na época do som, eu não estava morando aqui.
Arrumamos tudo para Seu Ramos. Ele abriu a TV e foi direto no problema.
Achei incrível. Assim, nem sei se é, mas confiei total porque ele está há anos fazendo isso. Me passou que realmente sabe o que está fazendo.
Demonstrou o que acontece se alguém tocar numa parte lá que passa a corrente elétrica, a chave deu um pipoco, eu me assustei ele e riu.
Ele ria numa confiança sabe?! Mas não era em tom de deboche não, era em tom de segurança. Era uma coisa simples para ele mas parecia que ele tava feliz em conseguir resolver nosso problema. Sei lá.
Pensei: "No que eu me propuser a fazer na vida, quero fazer que nem seu Ramos, bem segura."
Foi rápida a análise.
- Compensa consertar? Perguntei.
- Sim. Uma dessa é mais de 2.000 reais! E eu ajeito tudo por R$400.
Ele falou o valor e em seguida disse: - Metade agora para eu comprar a peça e segunda feira o resto depois que eu consertar. Vou levar a placa mãe. Falei outro problema da imagem. Ele me assegurou que os problemas não tinham relação um com o outro mas que consertaria e estaria tudo incluso no valor que me passou. Não precisava pagar a mais.
Era verdade o valor de uma TV nova igual à nossa agora. A gente tinha passado a tarde pesquisando TVs.
Nem contestei o valor do conserto sabe? (apesar de não ter o dinheiro). Se não sei consertar, não posso barganhar. Ia dar um jeito. Confiança vale mais que dinheiro.
Antes de falarmos qualquer coisa ele disse:
- Tem muita gente que não gosta de mim aqui, mas sou assim direto. Ele tava olhando para minha mãe. Acho que falou isso porque ela arregalou o olho. E ele acionou a defesa dele em justificar seu preço. E ele tá errado? Eu também arregalei mas foi internamente e de pensar no rombo que eu ia fazer no meu cheque especial mesmo, já que tem que pagar à vista. Com certeza, o arregalar de olhos da minha mãe também foi por isso. Quem tem R$400 assim, do nada?
- Não tenho R$200 aqui. Falei eu. Fim de tarde de sábado... Não tenho nem R$40, quanto mais R$400.
- Tudo bem, passo amanhã 08h30 para pegar. Disse ele rapidamente.
- Não tenho R$200 aqui. Falei eu. Fim de tarde de sábado... Não tenho nem R$40, quanto mais R$400.
- Tudo bem, passo amanhã 08h30 para pegar. Disse ele rapidamente.
Eu ri. Negociei para ser um pouco mais tarde - odeio acordar cedo. Para qualquer coisa.
O celular dele tocou, um desses de 'barrinha' sabe? Atendeu e parecia ser mais uma 'emergência'. Arrumou a maleta com suas ferramentas, deu recomendações de não mexermos na TV até o retorno dele - não podia nem varrer o chão kkkk - e saiu rua afora. Fumando seu cigarro, rindo de satisfação com seu diagnóstico e dizendo que segunda feira a nossa TV estará boa.
Falamos: - É né?! Acredito que Tá bom. O som que ele consertou tá aí perfeito até hoje. Vamos dar um jeito. (inclusive agora, tá tocando aqui no volume máximo enquanto escrevo).
Eita Ramos Eletrônica confiante. Vida de gente esforçada é assim mesmo.
(continua...)
Falamos: - É né?! Acredito que Tá bom. O som que ele consertou tá aí perfeito até hoje. Vamos dar um jeito. (inclusive agora, tá tocando aqui no volume máximo enquanto escrevo).
Eita Ramos Eletrônica confiante. Vida de gente esforçada é assim mesmo.
(continua...)
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