Ontem eu participei de uma reunião com alunos da Escola Padre Rocha, localizada
em Fortaleza/CE a convite do Leandro, professor de matemática destes alunos (e
professor faz tudo né gente?!)
Bem, estava bem ansiosa porque falar com
adolescentes é uma responsabilidade gigantesca (já falei sobre isso 3 posts atrás)
mas ao mesmo tempo era também para ouvir o que eles tinham a me dizer, o que eu
ia aprender com eles - amo aprender!
Pois bem, pessoas! Abri os trabalhos com “hoje não é mais terça feira?” afinal,
eram 20h de uma terça feira, faltavam poucas horas para acabar a terça mesmo e
encaixava bem.
Não tem como contar a minha história enquanto atriz, escritora, poetisa sem
apresentar minhas obras e sem falar de mim como pessoa. Tô misturada. Como
pessoa, falo de minha família – que é de onde venho – e quais são as
dificuldades que enfrento. Sem ser surpresa para ninguém que lê esse texto, um
desses obstáculos é o racismo. Não é um assunto que falo só agora né?!
A primeira pergunta de um dos alunos foi: “Dona Anna, a senhora acha que o
racismo vai acabar?” (o tratamento deles comigo foi assim, tentei reforçar que
sou jovem mas não teve jeito kkk) e pasmem: tinha um ‘invasor’ em nossa reunião
com a tentativa de não permitir que nossa conversa fosse harmônica. Quando
perguntamos “quem é você?”, ele digitou: “seu pesadelo”. Dentre outras providências,
banimos o invasor – que usava a foto de um garoto negro no avatar.
Racistas não nos dão 1 segundo de paz em nenhum lugar. Ele atua por diversas
frentes. Por isso, a importância de conversarmos sobre isso incansavelmente,
saber sobre ele, quais são origens e quais são as atitudes que podem dar força
ao racismo para que não pratiquemos. Ser antirracista é uma CONSTANTE. Cansa?
Iapoi!! Mas, que outra opção há numa guerra se não lutar?
Sobre a resposta, como mulher negra com menos de 10 anos de reconhecimento que
sou negra (e isso também é constante), preciso acreditar que sim, um dia vai acabar. Poder estar falando
com eles sobre isso, escrever os meus textos, mostrar a minha obra seja sobre
racismo ou todos os outros assuntos que envolve o ser humano, exercer a
profissão que eu quero é a prova que muitos e muitas vieram antes abriram
caminhos. E eu preciso continuar falando, mostrando meu rosto, estudando e
espalhando que o racismo tem que acabar. E saibam: somos muitas que pensamos
assim. Eu posso até não ver quando esse dia chegar, mas sei que contribuí para
que ele deixasse de existir.
“Posso até cansar, mas não vão me parar. Não morro, não desisto”. Essa frase é minha, mas também é de muita gente. Não estou
só!
Aos alunos do Padre Rocha, vocês foram lindos e acolhedores. Fiquei imensamente
feliz com nosso papo que só seria 1h e foram 2h prazerosas horas conversando
sobre nós! Teatro, poesia, auto estima, eugenia, música, religião e sobre um
mói de assunto a gente falou. Obrigada pela aula de amor. Obrigada Leandro pelo
convite. Você está fazendo uma diferença enorme na vida dessa galerinha!

Muito bom adorei aprender com você
ResponderExcluirQuem é vc
ExcluirOmissão de fatos em, realmente disse que era o pesadelo, mas em nem um momento atrapalhei a reunião de vcs, pelo contrário fui contratado para derruba-lo, mas como o tema abordado era sobre o racismo, e se valendo do contexto atual em que nos encontramos decide abortar o serviço e assistir a aula, difícil de acreditar né, mas fui ban mesmo assim pelo medo do desconhecido.
ResponderExcluirVocê conhece alguém da nossa sala 1°a
ExcluirOlá Alpha, tudo bem? Só estou lendo a sua resposta agora. Eu não escrevi que você atrapalhou mas que a tentativa ocorreu. Como não te conhecemos e ali era um espaço apenas para pessoas que conhecemos, não tinha como te manter lá. Te demos essa possibilidade e você optou por não se mostrar. Conforme escreveu, você foi contratado para derrubar - o que é triste - porém que bom que vc repensou em seu ato. Se você é da escola, peço que procure a diretoria e coordenação para esclarecer esses fatos e que você lute para que eles não ocorram mais. O que acha? Te desejo muita luz em seu caminho e que você se revele para nós. Não dá para interagir com desconhecidos mesmo, ainda mais com a confissão da intenção.
ExcluirObrigada pela sua resposta.
Fica em paz!