Um lugarzinho criado para escrever as caraminholas que habitam a massa cefálica debaixo dos caracóis dos meus cabelos. Histórias e visões de um mundo distante (ou próximo!). Tenho a liberdade de usar o verbo 'mergulhar' para falar sobre assuntos densos e também sobre assuntos rasos. Amo mergulhar nos assuntos mas no mar mesmo, tenho medo.
segunda-feira, 9 de novembro de 2020
Balbúrdia
"querem que a gente aceite tudo sem fazer barulho, afinal, se tudo está em silêncio é porque está em paz. Paz para quem? Não suportam a revolta. Então vamos fazer! e se tem mais uma coisa que eles não suportam é a tal da alegria. Sorrir também é resistir. então, vamos botar nosso bloco na rua! vamos protestar! vamos fazer um carnaval!"
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Esse é um trecho de um texto dramático que escrevi em Dezembro de 2019 para a personagem fictícia Lua dizer na peça "Balbúrdia, Todo Silêncio Possível" (Recife, 2019 - direção @quiercles). Foi adicionado ao poema "Revolta" escrito em Agosto do mesmo ano.
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Lua, uma mulher negra, pobre, forte era moradora dos cortiços no centro do Rio de Janeiro. Em nome do "progresso", o Estado derrubou sua casa e obrigou a população que ali habitava fosse morar em favelas, no morro. Lua é fictícia mas a história é verdadeira. Aconteceu com muita gente em 1904 durante a revolta da vacina.
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Não temos que aceitar nada de boca fechada. Hoje, novembro de 2020, não podemos aglomerar. Mas temos muitas formas de fazer barulho. Não podemos nos calar!
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