quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Foi verdade [...] Foi?

 "Oi..."
Essa foi a sua mensagem depois de dois meses sem nos falarmos. Eu, que esperei por tanto tempo uma mensagem sua, finalmente estava recebendo alguma coisa quando eu já queria esquecer que esperava. Meu cérebro imediatamente gritou: "não responda!" mas a minha ansiedade, a minha curiosidade e, principalmente, a minha abstinência de você jamais permitiriam que eu te deixasse no vácuo. Nesta mesma mente, em fração de segundos, acontecia um bombardeio de perguntas e afirmações, senti até um pouco de falta de ar na hora. 2 minutos! Dois minutos foi o tempo que demorei para responder a sua mensagem que queria ter recebido há dois meses.
Nesse caos todo na minha cabeça, durante esses dois minutos, uma das vozes gritou: "se vai responder, diga assim: está em leito de morte no hospital e eu sou a única pessoa que pode te salvar nesse momento? se sim, pode prosseguir, se não, nem continue" mas eu não ouvi. Eu jamais saberia o que você queria se eu respondesse assim - ou eu sabia? - você enviou com reticências, tinha algo a dizer! E eu também não conseguiria, naquele dia, enviar essa grosseria de resposta. Enfim... Respondi! "Oi!" com exclamação para demonstrar minha empolgação. Para quê esconder?

20 segundos. Esse foi o seu tempo de tréplica. Uma das vozes já dizia: "tá vendo? ele mudou mesmo!" já que antes as minhas mensagens instantâneas eram respondidas por você em 20 horas. Minha empolgação foi compensada. Essa voz eu ouvi. E sorri! Abri um sorrisão. Meu coração acordou, aqueceu. Ele sempre foi assim: uma mínima demonstração, já fica saltitante, tadinho.
Depois desses segundos, passamos 3 horas numa vídeo chamada. Era muita saudade, nem parecia que estávamos distantes em quilômetros e nem percebemos que estávamos distantes energicamente. Não percebemos que nossas saudades eram diferentes. Bem... eu não percebi. Tinha algo tão envolvente e mágico ali que se eu vi algo de ruim, desliguei. Deixei meu coração capitanear esse momento. Você estava na minha frente - digitalmente - me dizendo tudo que planejei ouvir durante dois meses - como se você tivesse lido a minha mente (coisa que não é tão difícil mesmo, sou tão transparente). Em 10 dias, estaríamos frente a frente, sem nenhum obstáculo, tela, roupa, nada. Só nós. Foi tão bom. Eu sempre lembrava "que bom que eu respondi".

[...] tudo aconteceu sem explicações racionais [...]

Você foi embora. Se é que um dia, veio. Eu não quis mais ficar. E hoje eu fico duvidando se eu fui. Às vezes penso que foi um delírio meu. Às vezes, foi até coletivo, porque disseram que nos viram por aí, que estávamos felizes... 

Agora, não existe nada. Onde está tudo aquilo que nós tínhamos? Tínhamos algo? 
Hoje, somos mensagens não respondidas. Nem sequer visualizadas. 




Música para ouvir após ler esse texto: "Está difícil de esquecer" (Tim Maia - 1980)

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